O QUE É ECONOMIA ECOLÓGICA?

No final dos anos 1960/70, a emergência do movimento ambientalista e o choque do petróleo fizeram dos recursos naturais, da energia e do ambiente em geral um tema de importância social, política e econômica, o qual pode ser chamado Questão Ambiental. Esta trouxe a crítica ao modelo de desenvolvimento econômico vigente, apontando para um conflito, senão uma possível incompatibilidade, entre crescimento econômico e preservação do meio ambiente e da qualidade ambiental, e que tal conflito, em última instância traria limites à continuidade do próprio crescimento econômico.

Assim, a crítica ambientalista, surgida inicialmente nos meios científicos e ambientalistas, vai progressivamente adentrando o campo da Ciência Econômica, dado ser o funcionamento do sistema econômico o objetivo central da crítica. Neste processo, é de grande destaque o impacto do Clube de Roma, com a publicação de “The limits to Growth“, o Relatório Meadows, de 1972. Tal trabalho aponta para um cenário catastrófico de impossibilidade de perpetuação do crescimento econômico devido à exaustão dos recursos ambientais por ele acarretada, levantando assim à proposta de um “crescimento econômico zero”.

O debate passa então a polarizar-se entre esta posição de “crescimento zero” – conhecida por “neo-maulthusiana” – e posições desenvolvimentistas de “direito ao crescimento” – defendida pelos países em desenvolvimento -, indo desaguar na United Nations Conference on Environment and Development (UNCED) em Estocolmo em 1972. Nesta, como terceira via, desenvolve-se a tese do EcoDesenvolvimento, segundo a qual desenvolvimento econômico e preservação ambiental não são incompatíveis, mas, ao contrário, são interdependentes para um efetivo desenvolvimento. Essa tese vem a desenvolver-se na proposição do Desenvolvimento Sustentável, que adquire sua forma mais consolidada no Relatório Brundtland de 1987Our Common Future – segundo a qual o Desenvolvimento deve ser entendido pela eficiência econômica, equilíbrio ambiental e também pela equidade social. De modo geral, Desenvolvimento Sustentável é ponto de passagem obrigatória no debate econômico, representando o ponto maior da penetração da Questão Ambiental na Economia.

Nesta crítica ambientalista do final dos anos 1960/70, que colocou a Questão Ambiental e do Desenvolvimento Sustentável na ordem do dia da agenda inclusive do mainstream econômico, está justamente a raiz do que veio posteriormente a constituir-se como Economia Ecológica. Esta crítica ambientalista origina-se no terreno das Ciências Físicas e Biológicas, onde a partir de diferentes disciplinas e especialidades relacionadas às questões ambientais, ecológicas e energéticas veio-se progressivamente ao longo do tempo desenvolvendo análises do funcionamento do sistema econômico e das inter-relações entre este e o sistema ambiental. Afora o impacto de “The Limits to Growth“, alguns trabalhos clássicos e seminais, tanto de economistas quanto de não-economistas, surgem no período, promovendo forte impacto nos meios acadêmicos e ambientalistas, como “The Economics of the Coming Spaceship Earth” publicado em 1966 por Kenneth Boulding, “The Entropy Law and the Economic Process” de 1971, Nicholas Georgescu-Roegen, “On Economic as a Life Science” de 1968, Herman Daly, “Environment, Power and Society“, de 1971, Howard Odum, entre outros.

De tais autores provém uma linha de raciocínio crítico ao atual processo de crescimento econômico com base nos princípios e conceitos biofísicos ambientais e ecológicos envolvidos, o que levou naturalmente a que estes princípios entrassem na discussão em torno da própria natureza do processo econômico e de suas relações com os recursos ambientais. Deste modo, veio constituindo-se um campo próprio de análise do sistema econômico, apoiado em conceitos e ferramentas biofísico-ecológicos, denominado “bioeconomics“, o qual veio produzindo abordagens e resultados diferenciados (e mesmo divergentes) dos encontrados pelas teorias econômicas convencionais.

Esta abordagem “bioeconômica” veio posteriormente a consolidar-se enquanto a base da hoje denominada Economia Ecológica. Apesar de suas motivações e fundamentações remontarem assim ao próprio desenvolvimento da Questão Ambiental, a Economia Ecológica vai apenas consolidar-se enquanto corrente mais efetivamente nos anos 80, com a fundação da International Society for Ecological Economics (ISEE) em 1988 e com a criação da revista Ecological Economics em 1989.

A Economia Ecológica funda-se no princípio de que o funcionamento do sistema econômico, considerado nas escalas temporal e espacial mais amplas, deve ser compreendido tendo-se em vista as condições do mundo biofísico sobre o qual este se realiza, uma vez que é deste que derivam a energia e matérias-prima para o próprio funcionamento da economia. Uma vez que o processo econômico é um processo também físico, as relações físicas não podem deixar de fazer parte da análise do sistema econômico, o que a tornaria incompleta. Com isso, a natureza do problema envolve elementos tanto econômicos quanto biofísicos. Por sinal, o descaso ou pouca relevância atribuída aos atributos biofísicos da economia nos modelos da economia convencional veio sendo assim um principal ponto de crítica e motivação da Economia Ecológica.

A Economia Ecológica conforma-se assim a partir deste reconhecimento maior da importância da conexão entre o sistema econômico e o ambiente natural, e carrega o propósito de integrar-se analiticamente os componentes do sistema econômico com os do sistema ambiental, procurando-se assim compreender seu funcionamento comum. Deste modo, distinguindo-se tanto da “economia convencional” quanto da “ecologia convencional”, a Economia Ecológica define-se assim enquanto um campo transdisciplinar o qual busca a integração entre as disciplinas da economia e ecologia, e demais disciplinas correlacionadas, para uma análise integrada dos dois sistemas. Neste sentido, a Economia Ecológica não rejeita os conceitos e instrumentos da “economia convencional” e da “ecologia convencional”, e irá utilizá-los sempre que estes se fizerem necessários, mas reconhece a insuficiência destes para o propósito de uma análise integrada, apontando para a necessidade do desenvolvimento de novos conceitos e instrumentos.

Deste modo, por ser um campo pluralista transdisciplinar, na Economia Ecológica encontram-se diversas (e mesmo divergentes) abordagens, ora se aproximando mais da economia, ora mais da ecologia. Diversas são as formas propostas de incorporação dos princípios biofísicos, assim como também são diversos os princípios econômicos elencados e diversas as formas de mediação propostas, o que faz com que a Economia Ecológica mostre-se como um campo heterogêneo dentro de seu propósito comum.

Apesar de sua heterogeneidade, neste seu propósito comum alguns aspectos são de reconhecimento geral como elementos unificadores. Um destes encontra-se no reconhecimento de que, para o entendimento do funcionamento do sistema econômico e de suas relações com os recursos ambientais, é fundamental a compreensão de seus fluxos e balanços materiais e energéticos, o que coloca em posição de importância central os princípios biofísicos, especialmente os princípios termodinâmicos – Lei da Conservação (Primeira Lei da Termodinâmica) e Lei de Entropia (Segunda Lei da Termodinâmica).

Outro aspecto está em que, em seu esforço de compatibilização entre economia e ecologia, a questão que se coloca para a Economia Ecológica está justamente na busca da determinação da sustentabilidade desta interação, delineando-se as condições de estabilidade das diversas funções ecológicas, particularmente a capacidade do ambiente em oferecer recursos naturais para o funcionamento do sistema econômico e em absorver seus rejeitos, ou seja, delineando-se em que medida as restrições ambientais podem ou não constituir efetivamente limites ao crescimento econômico.

Neste particular, a Economia Ecológica não partilha do ceticismo pessimista alarmista ecológico, que vê tais limites como iminentes e intransponíveis, pois ela reconhece que o progresso tecnológico constantemente promove a superação de limites naturais pelo aumento de eficiência e pela substituição de recursos exauríveis por renováveis. Tampouco a Economia Ecológica partilha do “otimismo tecnológico”, o qual entende as restrições naturais como um problema menor, pois estas sempre hão de ser superadas pela tecnologia, pois a Economia Ecológica reconhece que o progresso tecnológico de fato se dá, mas apenas dentro de certos limites fisicamente possíveis. Assim, a Economia Ecológica não adota nenhuma posição a priori quanto a existência ou não de limites ambientais ao crescimento econômico, adotando sim uma posição de “ceticismo prudente”, a qual busca justamente delimitar as escalas em que as restrições ambientais podem constituir limites efetivos às atividades econômicas.

Um outro aspecto de reconhecimento geral está em que, justamente pela complexidade da interação entre economia e ambiente e pela busca da sustentabilidade desta interação para a equidade com as gerações futuras, a Economia Ecológica entende ser insuficiente o tratamento das questões ambientais apenas pela internalização das “externalidades” tal como definidas pela economia neoclássica, ou seja, enquanto custos sociais dados pelas preferências subjetivas dos indivíduos e para os quais apenas não há um mercado. Nada implica que a otimização de custos-benefícios com a inclusão destas externalidades conduza a uma utilização sustentável dos recursos ambientais. “Otimalidade” não significa “sustentabilidade”; a menos se fosse possível conhecer-se toda a complexidade das relações do homem com a natureza e também os desejos e direitos das gerações futuras.

A Economia Ecológica entende que na interação entre o sistema econômico e o ambiente há relações fundamentais cujos “valores” não são possíveis de ser apreendidos a partir da “precificação” pelas preferências dos indivíduos, tais como as trocas materiais e energéticas entre a economia e o ambiente – onde os recursos entram no sistema econômico como bens gratuitos líquidos e saem como custos líquidos para o ambiente -, como a importância da biodiversidade para a estabilidade biogeoquímica global e para utilização direta (conhecida ou potencial) pela sociedade, ou como as assimetrias sociais na utilização dos recursos ambientais, tanto entre diferentes nações e diferentes camadas das populações em uma mesma geração quanto entre as gerações atuais e as futuras.

De maneira geral, em sua diversidade interior pode-se encontrar na Economia Ecológica posições que variam de um extremo mais próximo à ecologia convencional a outro extremo mais próximo à economia convencional de extração neoclássica. Assim, de um lado vai-se encontrar na Economia Ecológica abordagens que utilizam-se de formulações e ferramentas da economia ambiental e economia dos recursos naturais neoclássicas, baseadas que são na valoração dos bens e serviços ecossistêmicos a partir das preferências e utilidades dos indivíduos, expressas em termos monetários. De outro lado, vai-se encontrar abordagens que buscam realizar análises do sistema econômico a partir de critérios estritamente ecológicos, para isso utilizando a energia como unidade geral de análise do sistema, o que levou autores como Odum e seus seguidores a proporem uma “teoria do valor-energia”.

Entre estes dois extremos, há contudo uma gama de autores que, em linha com as ideias de Georgescu-Roegen, utilizam centralmente os princípios biofísicos (especialmente os termodinâmicos), sem contudo entenderem que a dimensão social da economia possa ser reduzida a estes ou à energia para sua compreensão. Neste sentido, destacam-se por exemplo os trabalhos de Richard Norgaard, que através do conceito de coevolução propõe um marco teórico o qual compreende o processo evolutivo da economia como o produto de uma interação de mútua determinação entre as forças dinâmicas sociais e as forças dinâmicas entrópicas naturais.

Enfim, a Economia Ecológica é um campo disciplinar ainda relativamente novo, que vem encontrado um desenvolvimento bastante rápido e intenso, abrindo vários caminhos de investigação e buscando amadurecer e consolidar sua estrutura analítica teórica e seus instrumentos e ferramentas. Contudo, este é um esforço que demanda ainda muito trabalho e cooperação daqueles que, não apenas na comunidade acadêmica mas também nas instituições gestoras de políticas, nas organizações não-governamentais e no meio empresarial, nos níveis local, regional, nacional e internacional, dediquem-se à busca de uma equação de Sustentabilidade no desenvolvimento econômico com o meio-ambiente.

Autor: Maurício Amazonas, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica – ECOECO, gestão 1999/2001

Sobre a Economia Ecológica ver Martinez-Alier, J.  Economia Ecológica. International Encyclopedia of the Social and Behavioral Scientes, entry 91008. Traduzido por Joseph S. Weiss e Clóvis Cavalcanti.

 

NOTÍCIAS

Impactos da mineração e desastres ambientais são discutidos no XIII Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica

Nota publicada pela UICN.

Com o objetivo de discutir os efeitos das ações humanas ao longo dos anos e a sua relação com atual crise ecológica, o XIII Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, reuniu pesquisadores e instituições com conhecimentos transdisciplinares. O evento foi realizado em Campinas de 23 a 26 de setembro de 2019, sob o título “Será o Antropoceno a erra do colapso ambiental? Pensando uma economia para o Planeta Terra”, debateu o protagonismo das ações humanas no contexto das mudanças globais e reflexões sobre uma nova economia para o planeta que possa mitigar os efeitos das ações humanas sobre o meio ambiente e a biodiversidade.

 

A atividade de mineração e a exploração predatória de recursos naturais e os seus impactos no contexto dos desastres está na programação, na Mesa Redonda Impactos socioambientais do Antropoceno: o caso da mineração, onde serão apresentados os impactos do rompimento da barragem de Fundão na economia da região da Bacia do Rio Doce, altamente dependente da extração de recursos naturais. O impacto do rompimento da barragem prejudicou setores importantes nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, como a mineração, agricultura, pecuária e pesca, eliminando empregos formais e limitando as opções de subsistência dos habitantes.

 

A apresentação será de Peter May, PhD, Professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), especialista em recursos naturais e economia ecológica, membro do Painel do Rio Doce e um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica. Peter May é autor-líder do estudo Alternativas para meios de vida em paisagens rurais da Bacia do Rio Doce após o rompimento da Barragem de Fundão — Criando oportunidades para o futuro. O estudo, que é parte das recomendações produzidas pelo Painel do Rio Doce, explora os benefícios de atividades econômicas alternativas consistentes com a restauração da bacia e promove a priorização de instrumentos de política e financiamento para apoiar tais esforços.

 

O estudo do Painel do Rio Doce também será objeto de apresentação na sessão temática Conflitos, riscos, desastres e crimes socioambientais.

 

Mais informações

O Planeta tem limites

Publicado em Boletim da UFMG, nº 2071, ano 45, 09 de setembro de 2019

Tese da Face revisita a história do Pensamento Econômico-Ecológico, cujo princípio se baseia na finitude dos recursos naturais e na necessidade de melhor distribuí-los

A tese foi defendida por Marco Paulo Vianna Franco, associado a Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO).

Pensamento Econômico-Ecológico (PEE) não é um termo comum na literatura científica, mas, desde sua origem, no século 19, apresenta-se como argumento em favor de uma mudança sistêmica, que se faz necessária e urgente no enfrentamento dos desafios sociais e ambientais da atualidade. O resgate histórico e filosófico desse pensamento, regido pelo princípio do respeito aos limites biofísicos do planeta, é tratado na tese do pesquisador Marco Paulo Vianna Franco, defendida na Faculdade de Ciências Econômicas (Face).

Segundo Marco Franco, que elegeu como foco de sua pesquisa o pensamento russo e o conceito de utopismo ecológico, os primeiros 50 anos do desenvolvimento do PEE, entre 1880 e 1930, já revelavam seu fundamento na energética social, combinando diferentes valores, métodos e ideias em uma crítica ecológica à economia convencional. Análogo ao princípio da sustentabilidade, o PEE se baseia nas ciências naturais, especialmente na ecologia, para explicar o limite imposto à exploração humana dos recursos naturais, associando-se também à questão do aprovisionamento social, dadas às suas implicações para a gestão e distribuição desses recursos.

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E se pagássemos aos países para proteger a biodiversidade?

Photo: Mikael Risedal

 

 

Pesquisadores da Suécia, Alemanha, Brasil e EUA desenvolveram um mecanismo financeiro para apoiar a proteção do patrimônio natural do mundo (biodiversidade). A proposta foi publicada no estudo “Designing a global mechanism for intergovernmental biodiversity financing“. O estudo apresenta três opções diferentes de design para um mecanismo de financiamento intergovernamental da biodiversidade.

O estudo levanta as seguintes questões: o que aconteceria se dinheiro fosse dado aos países para proteger determinadas áreas? Haveria estímulo para aqueles que recebessem o dinheiro em proteger as áreas? Que tipo de incentivos isso criaria? Como esses incentivos se alinhariam às metas internacionais de conservação?

Após longas negociações, a comunidade internacional concordou em proteger os ecossistemas globais e melhorar o status da biodiversidade. As metas globais de conservação para 2020, chamadas metas de Aichi, as quais são uma marca ambiciosa. No entanto, falta uma implementação eficaz. A biodiversidade ainda está diminuindo a taxas apenas comparáveis à última extinção em massa planetária. É necessário um esforço adicional para alcançar as metas de Aichi e ainda mais para deter a perda de biodiversidade.

“O bem-estar humano depende do suporte ecológico à vida. No entanto, estamos constantemente perdendo a biodiversidade e, portanto, a resiliência dos ecossistemas. Na escala internacional, existem objetivos políticos, mas a implementação de políticas de conservação é uma tarefa nacional. Não existe um mecanismo financeiro global que possa ajudar os países a atingir suas metas de biodiversidade ”, diz o principal autor Nils Droste, da Universidade de Lund, na Suécia.

O Brasil implementou com sucesso sistemas de Transferência Fiscal Ecológica, como o ICMS Ecológico, que compensam os municípios por hospedar áreas protegidas em nível local desde o início dos anos 90. De acordo com descobertas anteriores, esses mecanismos ajudam a criar áreas protegidas adicionais. A equipe de pesquisa internacional, portanto, se propôs a ampliar essa ideia até o nível global, onde não os municípios, mas as nações são responsáveis pela designação de áreas protegidas. Eles desenvolveram e compararam três opções diferentes de design:

  • Um modelo ecocêntrico: onde apenas conta a extensão da área protegida por país – quanto maior a área protegida, melhor;

  • Um modelo socioecológico: onde as áreas protegidas e o Índice de Desenvolvimento Humano contam, acrescentando justiça ao desenvolvimento ao modelo anterior;

  • Um modelo antropocêntrico: onde a densidade populacional também é considerada, pois as pessoas se beneficiam localmente das áreas protegidas.

O desenho socioecológico foi o que se mostrou mais eficiente. O modelo forneceu os maiores incentivos marginais – ou seja, o dinheiro adicional para proteger uma porcentagem adicional da área de um país – para países que estão mais distantes de atingir as metas globais de conservação. O resultado surpreendeu os pesquisadores.

“Enquanto desenvolvemos o design socioecológico com um elemento de justiça em mente, acreditando que os países em desenvolvimento podem ser mais facilmente convencidos por um design que os beneficie, ficamos surpresos ao ver como esse design específico se alinha aos objetivos da política global”, diz Nils Droste. “Isso incentivaria fortemente ações adicionais de conservação, onde a comunidade global não tem mais isso”, acrescenta.

Como o estudo visava fornecer opções, não prescrições para formuladores de políticas, o estudo não detalhou quem deveria pagar ou qual o tamanho exato do fundo. Em vez disso, fornece uma opção ainda inexplorada para desenvolver um mecanismo financeiro para a conservação da biodiversidade, semelhante ao que o Fundo Verde para o Clima é para as mudanças climáticas.

“Sabemos que precisamos mudar o uso da terra para preservar a biodiversidade. Proteger a terra da degradação e fornecer ecossistemas saudáveis, ar limpo ou rios limpos é uma função do estado. Dar uma recompensa financeira aos governos por esses serviços públicos de ecossistemas facilitará o fornecimento dos esforços de conservação correspondentes e ajudará a colocar isso na agenda ”, conclui Nils Droste.

Traduzido por Junior Garcia.

Texto original em inglês.

Acesse o estudo: Designing a global mechanism for intergovernmental biodiversity financing

 

Filiação à SBPC

 

SBPC
 
 

É importante e desejável que todos (as) os sócios da ECOECO e a comunidade acadêmica em geral se associe à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SPBC), da qual somos filiados. A SBPC em atuado diariamente em frentes para conter o desmonte da Ciência e da Educação no país. Para que essas ações fiquem mais fortes, precisamos mostrar que estamos unidos e que fazemos parte de uma comunidade unida. Associem-se à ECOECO e à SBPC.

Associe-se.

Turma pioneira de bacharéis em Economia Ecológica colou grau em Julho de 2019

Publicado em Projeto Colabora.

Por Marizilda Cruppe

Colação de grau da turma de Economia Ecológica da Universidade Federal do Ceará.

Até a criação da graduação, na Universidade Federal do Ceará, a economia ecológica se apresentava nas universidades mundo afora como uma disciplina da área de Ciências Econômicas, de mestrado ou doutorado. Em 2010, um grupo de economistas e professores da UFC, discípulos de Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994), autor de “The Entropy and the Economic Process” (Entropia e Processo Econômico), decidiu criar um curso de extensão, com duração de 40 horas. As mais de 400 inscrições e as dezenas de pedidos para que o curso fosse transformado em pós-graduação ou mestrado encorajaram o grupo a pensar em ir mais longe. Os professores acreditavam na importância de uma formação de base e criaram o primeiro, e até o momento único, curso de graduação em Economia Ecológica do mundo.

Mas, afinal, o que é Economia Ecológica? Lá pelos anos 60 e 70 do século passado, cientistas e ambientalistas começaram a fazer críticas à exploração dos recursos naturais e ao modelo de crescimento econômico baseado na exploração, produção e devolução de resíduos poluentes para a natureza que não podiam ser reaproveitados. Já no começo dos anos 70, economistas mais conscientes alertaram para o dia em que o crescimento econômico seria zero, pois crescer às custas da destruição de recursos naturais não renováveis seria inviável.

“Nas origens do curso, nós estávamos tentando estabelecer um contraponto, uma crítica ao dogma do crescimento econômico e, também, ao dogma da sustentabilidade. Não dá para simplesmente pintar de verde e dizer que a economia é sustentável. Há processos que se tornam irreversíveis e se voltam contra a economia e as pessoas”, analisa o economista e professor, Aécio de Oliveira, um dos integrantes do time idealizador do curso de bacharelado, apelidado de Eco Eco. Ele continua, “Aqui no curso de economia ecológica nós tentamos estabelecer as relações entre economia, natureza e sociedade. Precisamos restabelecer princípios ecossistêmicos de coevolução. Somos um sistema social e econômico, mas ambos estão delimitados pelo ecossistema que é materialmente limitado”.

O programa pedagógico do curso foi rejeitado pelas Ciências Econômicas, pois se apresentava ousado demais para o departamento. A Eco Eco, então, ficou abrigada sob o guarda-chuva das Ciências Agrárias, não menos conservadora que a economia tradicional. Lucio Alves, 21 anos, estudante do 6º período pensava em cursar Ciências Econômicas, mas para trabalhar com economia social, “nada de banco” se apressa em dizer. “A Economia tradicional, na UFC, infelizmente, não está incluindo todas as disciplinas sociais na grade. Na Eco Eco é o contrário, o fundamento aqui é uma discussão ecológica e social, interdisciplinar, voltada para as pessoas e não para o dinheiro. É mais ampla, é sobre a vida. É compreender que o sistema ecológico é maior que o sistema econômico.”

Uma das inovações do curso, que por si só já é inovador, é o Trabalho de Campo Integrado (TCI). A partir do segundo semestre, os estudantes seguem para o campo e colocam em prática as teorias aprendidas em sala de aula. O TCI é uma disciplina obrigatória, onde os estudantes aplicam as ferramentas que conheceram no semestre. “É uma maneira de trazer o saber da academia para o contato com a realidade. A gente sai de Fortaleza para o interior e vai ver o que é o Ceará. Eu estou há seis semestres empolgado com o curso” conta Lucio, com um sorriso no rosto. “Estou satisfeito demais com a minha escolha. A grade do nosso curso é muito boa, todo mundo sente inveja quando a gente mostra. Às vezes, a gente é formado numa ciência de pedra, uma ciência dura, que nem entendemos por que estamos estudando aquilo, só muito mais tarde que se chega a uma discussão mais ampla, mais sensível. Aqui na Eco Eco, a base já é isso. A gente não vai aprender a jogar veneno para depois discutir se veneno é bom. A gente vai discutir primeiro e acima de tudo para que o veneno. A gente não vai aprender como se desmata um hectare com dois tratores e uma corrente. Antes a gente pensa para que ensinar alguém a fazer isso”.

O professor Fábio Sobral, um dos idealizadores do bacharelado explica que “para os economistas tradicionais bastam inovações tecnológicas que irão superar os problemas ambientais. A economia tem um princípio básico que é o crescimento econômico. É uma incoerência ter um planeta com recursos limitados determinado por um crescimento econômico que se quer exponencial, em contradição com a própria biosfera”. Ele observa que “os economistas ecológicos se escondem nos departamentos de economia, pois nunca tiveram força para romper definitivamente com a economia tradicional e passar a trabalhar a economia ecológica como uma alternativa viável”.

O curso enfrenta resistência de grupos dentro da universidade que tentam complicar a vida acadêmica de docentes e discentes. A rotina da turma da Eco Eco não é nada fácil. Mas se vem resistência de lá, o lado de cá também resiste. No mês passado, alunos da primeira turma foram diplomados. Arthur Virgilius, cearense de Fortaleza, 29 anos, formou-se com louvor. Arthur estava no final do curso de Jornalismo quando começou a estudar Ciências Econômicas, pois tinha a meta de ser jornalista de economia. Com o tempo, e com o interesse por temas ambientais, identificou “inconsistências” no curso de Ciências Econômicas e pensou em seguir para as Ciências Sociais ou para a Filosofia. Estava neste movimento ao mesmo tempo em que o curso de Economia Ecológica foi criado. “Resolvi olhar o Plano Pedagógico do Curso (PPC) e percebi que algumas lacunas que eu via nas Ciências Econômicas eram preenchidas. Além disso, compreendi a visão holística que o curso colocava. Desta forma, houve um encantamento com a ideia e eu aceitei a mudança”. conta Virgilius.

Sobral explica que o sistema econômico comete um erro grave quando transforma tudo em dinheiro. “Uma árvore protege o solo, retém água, tem uma microfauna, cria um microclima, uma biomassa, aí a economia tradicional vai e diz que essa árvore vale duzentos reais. Pegam-se variáveis que não se comunicam e submetem essas variáveis biofísicas a uma variável monetária. Isso é um assassinato do planeta. Devastar uma área e uma espécie e depois monetizá-las não vai reduzir a devastação. Se é um ativo valorizado no mercado financeiro ele vai explodir.” ensina o professor.

Francisco Casimiro Filho, coordenador do curso de graduação em Economia Ecológica, agrônomo formado na UFC, com mestrado e doutorado em Economia Aplicada pela USP, precisa ser hábil para manter o curso em funcionamento com um número reduzido de docentes. Muitos trabalham voluntariamente, movidos pela paixão de contribuir na formação de economistas que possam pensar um mundo que não seja só economia, sociedade ou consumismo. Os professores querem formar economistas que pensem a ética da vida. “Recebemos alunos das Ciências Econômicas para fazer disciplinas optativas livres conosco e no semestre seguinte eles trocam de curso e migram para a economia ecológica”, conta o professor Casimiro.

Andressa Paulino, 25 anos, soube do novo curso de graduação por um amigo e ficou curiosa. Os dois conceitos, economia e ecologia, não caminhavam juntos na cabeça dela. O amigo explicou um pouco e ela se surpreendeu “eu nunca tinha pensado por esse ponto de vista”. A nota de Andressa no Enem daria para escolher muitos cursos, menos o que ela desejava, arquitetura. Ela, então, pensou em escolher um curso que ela gostasse e a enriquecesse enquanto esperava o tempo para trocar para arquitetura. Deu Eco Eco. “Eu fui conhecendo o curso mais e mais, fui gostando do que estava vendo, passei a enxergar tudo ao meu redor com uma visão diferente, mais crítica, e passei a entender como tudo se conecta. Agora eu não quero sair da Eco Eco de jeito nenhum”.

Designing a global mechanism for intergovernmental biodiversity financing

By Nils Droste; Joshua Farley; Irene Ring; Peter H. May; Taylor H. Ricketts

Os pesquisadores vinculados à Sociedade Internacional de Economia Ecológica (ISEE) publicaram o estudo, Designing a global mechanism for intergovernmental biodiversity financing, que apresenta uma proposta baseada no ICMS-Ecológico auxiliar na construção de um sistema global intergovernamental para financiar a proteção da biodiversidade. Um dos autores é o professor Peter May, ex-presidente da ECOECO Brasil e da ISEE, e o professor Joshua Farley, presidente eleito da ISEE.

Abstract

The Convention on Biological Diversity and the Nagoya Protocol display a broad international consensus for biodiversity conservation and equitable benefit sharing. Yet, the Aichi biodiversity targets show a lack of progress and thus indicate a need for additional action such as enhanced and better targeted financial resource mobilization. To date, no global financial burden‐sharing instrument has been proposed. Developing a global‐scale financial mechanism to support biodiversity conservation through intergovernmental transfers, we simulate three allocation designs: ecocentric, socioecological, and anthropocentric. We analyze the corresponding incentives needed to reach the Aichi target of terrestrial protected area coverage by 2020. Here we show that the socioecological design would provide the strongest median incentive for states which are farthest from achieving the target. Our proposal provides a novel concept for global biodiversity financing, which can serve as a starting point for more specific policy dialogues on intergovernmental burden and benefit‐sharing mechanisms to halt biodiversity loss. Clique aqui para acessar o artigo.

Painel do Rio Doce

O Painel do Rio Doce (RDP) é um Painel Independente de Assessoria Técnica e Científica sob a liderança da International Union for Conservation of Nature (IUCN) e com o objetivo crítico de assessorar os esforços de recuperação após o rompimento da Barragem de Fundão, em novembro de 2015, e alavancar o impacto positivo a longo prazo e em escala de paisagem. Formado por especialistas nacionais e internacionais, o Painel do Rio Doce é convocado e gerido pela UICN, que atua com imparcialidade em suas atividades de coordenação e apoio técnico e administrativo, respeitando os princípios de independência, transparência, responsabilidade e comprometimento. O Painel do Rio Doce é composto por especialistas internacionais e nacionais, com diversas competências técnicas, qualificações acadêmicas e conhecimentos locais, e que trabalham na produção de recomendações técnicas direcionadas principalmente à Fundação Renova,  organização responsável pela execução dos programas reparatórios e compensatórios na bacia. Para mais informações sobre o Painel do Rio Doce (RDP) acesse: Website: https://www.iucn.org/pt/painel-do-rio-doce Recomendações: https://www.iucn.org/pt/painel-do-rio-doce/recomendacoes

IX Jornadas de Economía Ecológica

Bariloche, 25 al 29 de Noviembre de 2019

Territorios en disputa y mercantilización de la naturaleza. Perspectivas desde el Sur del Sur

El Comité Organizador de las IX Jornadas de Economía Ecológica informa que se encuentra disponible la Cuarta Circular de las IX Jornadas de Economía Ecológica que se realizarán los días 27, 28 y 29 de Noviembre de 2019 en la Sede Andina de la Universidad Nacional de Río Negro, Bariloche, Argentina. Allí podrán encontrar las instrucciones para el envío de resúmenes ampliados, como el link para su envío. Para las consultas está disponible un correo electrónico específicojornadas2019@asauee.org Mais informações.

COMUNICADO DOS EX-MINISTROS DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE

São Paulo, 8 de maio de 2019 Em outubro do ano passado, nós, os ex-ministros de Estado do Meio Ambiente, alertamos sobre a importância de o governo eleito não extinguir o Ministério do Meio Ambiente e manter o Brasil no Acordo de Paris. A consolidação e o fortalecimento da governança ambiental e climática, ponderamos, é condição essencial para a inserção internacional do Brasil e para impulsionar o desenvolvimento do país no século 21. Passados mais de cem dias do novo governo, as iniciativas em curso vão na direção oposta à de nosso alerta, comprometendo a imagem e a credibilidade internacional do país. Não podemos silenciar diante disso. Muito pelo contrário. Insistimos na necessidade de um diálogo permanente e construtivo. A governança socioambiental no Brasil está sendo desmontada, em afronta à Constituição. Estamos assistindo a uma série de ações, sem precedentes, que esvaziam a sua capacidade de formulação e implementação de políticas públicas do Ministério do Meio Ambiente: entre elas, a perda da Agência Nacional de Águas, a transferência do Serviço Florestal Brasileiro para o Ministério da Agricultura, a extinção da secretaria de mudanças climáticas e, agora, a ameaça de descriação de áreas protegidas, apequenamento do Conselho Nacional do Meio Ambiente e de extinção do Instituto Chico Mendes. Nas últimas três décadas, a sociedade brasileira foi capaz, através de sucessivos governos, de desenhar um conjunto de leis e instituições aptas a enfrentar os desafios da agenda ambiental brasileira nos vários níveis da Federação. A decisão de manter a participação brasileira no Acordo de Paris tem a sua credibilidade questionada nacional e internacionalmente pelas manifestações políticas, institucionais e legais adotadas ou apoiadas pelo governo, que reforçam a negação das mudanças climáticas partilhada por figuras-chave da atual administração. A ausência de diretrizes objetivas sobre o tema não somente tolhe o cumprimento dos compromissos assumidos pelo Brasil, comprometendo seu papel protagônico exercido globalmente, mas também sinaliza com retrocessos nos esforços praticados de redução de emissões de gases de efeito estufa, nas necessárias ações de adaptação e no não cumprimento da Política Nacional de Mudança do Clima. Estamos diante de um risco real de aumento descontrolado do desmatamento na Amazônia. Os frequentes sinais contraditórios no combate ao crime ambiental podem transmitir a ideia de que o desmatamento é essencial para o sucesso da agropecuária no Brasil. A ciência e a própria história política recente do país demonstram cabalmente que isso é uma falácia e um erro que custará muito caro a todos nós. É urgente a continuidade do combate ao crime organizado e à corrupção presentes nas ações do desmatamento ilegal e da ocupação de áreas protegidas e dos mananciais, especialmente nos grandes centros urbanos. O discurso contra os órgãos de controle ambiental, em especial o Ibama e o ICMBio, e o questionamento aos dados de monitoramento do INPE, cujo sucesso é auto-evidente, soma-se a uma crítica situação orçamentária e de pessoal dos órgãos. Tudo isso reforça na ponta a sensação de impunidade, que é a senha para mais desmatamento e mais violência. Pela mesma moeda, há que se fortalecer as regras que compõem o ordenamento jurídico ambiental brasileiro, estruturadas em perspectiva sistêmica, a partir da Lei da Política Nacional do Meio Ambiente de 1981. O Sistema Nacional de Meio Ambiente precisa ser fortalecido especialmente pelo financiamento dos órgãos que o integram. É grave a perspectiva de afrouxamento do licenciamento ambiental, travestido de “eficiência de gestão”, num país que acaba de passar pelo trauma de Brumadinho. Os setores empresarial e financeiro exigem regras claras, que confiram segurança às suas atividades. Não é possível, quase sete anos após a mudança do Código Florestal, que seus dispositivos, pactuados pelo Congresso e consolidados pelo Supremo Tribunal Federal, estejam sob ataque quando deveriam estar sendo simplesmente implementados. Sob alegação de “segurança jurídica” apenas para um lado, o do poder econômico, põe-se um país inteiro sob risco de judicialização. Tampouco podemos deixar de assinalar a nossa preocupação com as políticas relativas às populações indígenas, quilombolas e outros povos tradicionais, iniciada com a retirada da competência da Funai para demarcar terras indígenas. Há que se cumprir os preceitos estabelecidos na Constituição Federal de 1988, reforçados pelos compromissos assumidos pelo Brasil perante a comunidade internacional, há muitas décadas. O Brasil percorreu um longo caminho para consolidar sua governança ambiental. Tornamo-nos uma liderança global no combate às mudanças climáticas, o maior desafio da humanidade neste século. Também somos um dos países megabiodiversos do planeta, o que nos traz enorme responsabilidade em relação à conservação de todos os nossos biomas. Esta semana a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), considerada o “IPCC da biodiversidade”, divulgou o seu primeiro sumário aos tomadores de decisão, alertando sobre as graves ameaças que pesam sobre a biodiversidade: um milhão de espécies de animais e plantas no mundo estão ameaçadas de extinção. É urgente que o Brasil reafirme a sua responsabilidade quanto à proteção do meio ambiente e defina rumos concretos que levem à promoção do desenvolvimento sustentável e ao avanço da agenda socioambiental, a partir de ação firme e comprometida dos seus governantes. Não há desenvolvimento sem a proteção do meio ambiente. E isso se faz com quadros regulatórios robustos e eficientes, com gestão pública de excelência, com a participação da sociedade e com inserção internacional. Reafirmamos que o Brasil não pode desembarcar do mundo em pleno século 21. Mais do que isso, é preciso evitar que o país desembarque de si próprio. Rubens Ricupero Gustavo Krause José Sarney Filho José Carlos Carvalho Marina Silva Carlos Minc Izabella Teixeira Edson Duarte

Fatos Florestais: caem mitos que opõem produção à conservação no Brasil

Com participação de Tasso Azevedo e Camila Pitanga, filme cruza duas bases de dados para mostrar que país tem espaço para ampliar a proteção às florestas e a agropecuária. Continue a leitura.

SBPC se manifesta em defesa das Ciências Humanas e Sociais

Em nota pública divulgada nesta sexta-feira, 26 de abril, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) contesta proposição do presidente da República de cortar investimentos federais para faculdades de Filosofia e Sociologia e defende que essas disciplinas oferecem contribuições “imprescindíveis” para o desenvolvimento de pesquisas e políticas públicas

Leia o texto na íntegra abaixo:

NOTA PÚBLICA DA SBPC EM DEFESA DAS CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) vem a público  manifestar sua discordância em relação à proposição feita ontem pelo Exmo. Sr. Presidente da República de que não haveria mais investimentos federais para faculdades de Filosofia e Sociologia. Diante desta afirmação e de outras críticas recentes e pouco fundamentadas que as Ciências Humanas e Sociais vêm sofrendo, enfatizamos que é grande a importância dessas ciências para a sociedade brasileira, assim como a das outras áreas do conhecimento. Elas podem não proporcionar, como ocorre com muitos avanços científicos, um retorno econômico imediato para a sociedade, mas podem contribuir fortemente para o desenvolvimento científico e tecnológico do País e para a melhoria das condições de vida de sua população. .

A SBPC, uma entidade que congrega todas as ciências e que luta pela melhoria da educação e por políticas públicas que conduzam a um desenvolvimento sustentável do País, escorado na ciência, tecnologia e inovação, se contrapõe a essas proposições, afirmando o caráter científico das Ciências Humanas e Sociais e demonstrando sua importância para as políticas públicas. É essencial para o País, e as entidades cientificas têm defendido isto por décadas, que formemos mais profissionais qualificados nas áreas de engenharia, de ciências naturais e de ciências aplicadas, e que estes encontrem condições adequadas para exercerem suas profissões; mas isto de nenhum modo deve estar associado a um desmonte das áreas de ciências sociais e humanas. Alertamos para o risco da utilização, sem o devido cuidado, de comparações internacionais muitas vezes falsas, imprecisas ou distorcidas para embasar a definição de políticas internas relativas à ciência e à tecnologia.

Cabe lembrar que as Ciências Humanas e Sociais não são ideologias, como tem sido afirmado frequentemente. Elas trabalham com metodologias científicas específicas, que incluem o levantamento cuidadoso de dados com o uso de questionários, entrevistas, análise de documentos e observações no campo de estudo, e suas conclusões estão baseadas em evidências. Elas se utilizam frequentemente de dados estatísticos para chegar a determinados resultados ou conclusões, o que atesta, ainda, a importância de instrumentos de conhecimento, como o Censo Demográfico, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o Censo Educacional e a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), que estão também sendo motivo de questionamento por gestores do atual governo.

 Além de possibilitar o avanço do próprio conhecimento da área social, cabe tornar explícita a principal contribuição dessas ciências. Por meio das suas teorias, modelos e metodologias, elas procuram fornecer subsídios para a formulação, implementação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas elaboradas pelo governo e pela sociedade, visando à melhoria do bem estar social, que é aferido qualitativa e quantitativamente por meio de indicadores apropriados.

A sua contribuição é, portanto, imprescindível tanto na produção de pesquisas que dão suporte às políticas e aos serviços públicos, como na formação de recursos humanos necessários à operação desses serviços. Podem ser citados muitos exemplos de pesquisas, por exemplo aquelas realizadas por universidades, instituições de pesquisa ou por Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), que contribuíram para a política cultural, educacional, ambiental, de segurança, saúde e habitação do país ou de regiões determinadas.

 

Por outro lado, as Ciências Humanas e Sociais podem exercer o papel de produzir, de forma permanente, uma reflexão crítica sobre a sociedade e seu funcionamento, que é um elemento fundamental no processo democrático e que é necessário para o controle social e político sobre os processos e as finalidades do desenvolvimento. Elas são essenciais, ainda, em sua contribuição ao processo de formação de cidadãos com a capacidade crítica que a sociedade moderna exige.

Ressalte-se, ainda, que muitas carreiras e desenvolvimentos bem sucedidos nas áreas tecnológicas não resultam simplesmente de conhecimento técnico. Eles requerem habilidades de liderança, inteligência emocional, compreensão da cultura, em outras palavras, um entendimento do contexto econômico e social  que as Ciências Humanas e Sociais podem prover. A integração entre as diferentes áreas de conhecimento é mais fecunda e produtiva socialmente do que a separação entre elas ou a exclusão de algumas delas.

Finalmente, registramos que críticas orquestradas dirigidas às Ciências Humanas e Sociais constituem parte de uma estratégia mais geral que ameaça toda a pesquisa científica do País. Pretende-se restringir a formação universitária à mera aplicação de técnicas importadas e reduzir fortemente os investimentos em ciência, tecnologia e inovação, o que afetará profundamente as universidades e instituições públicas de pesquisa responsáveis por grande parte da produção científica e tecnológica do Brasil e colocará em risco a sobrevivência do sistema nacional de CT&I e a própria soberania nacional.  O domínio da cadeia de conhecimentos científicos e tecnológicos, como evidenciado pela história de todos os países desenvolvidos, é imprescindível para a superação da crise atual do País e para seu desenvolvimento econômico e social.

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São Paulo School of Advanced Science — Workshop: Biodiversity and Ecosystem Services

The São Paulo School of Advanced Science on Scenarios and Modelling on Biodiversity and Ecosystem Services to Support Human Well-Being (SPSAS Scenarios) will hold a 2-week training and networking session in July 2019 on scenarios and modeling in biodiversity and ecosystem services, and its relation to human wellbeing. The Advanced School will be led by speakers from several countries. Approximately 100 applicants, 50 from Brazil and 50 from other countries will be selected to participate in the Advanced School. The Advanced School will be conducted in English. A limited number of travel grants is available for participants from developing countries. The application deadline is 20 February 2019. Continue lendo.

Lançado dia 08 de novembro de 2018 o Sumário para Tomadores de Decisão sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos pela Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES)

A preparação do Sumário para Tomadores de Decisão sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos contou com a contribuição dos economistas ecológicas Peter May (ex-presidente da ECOECO e ex-presidente da ISEE) e Daniel Caixeta Andrade (atual presidente da ECOECO). Os pesquisadores contribuíram na seção sobre os drivers indiretos de perda na biodiversidade e serviços ecossistêmicos, sobretudo com enfase na Amazônia, Cerrado e Caatinga, além de relacionar tais impactos às demandas de terra do agronegócio e políticas públicas contraditórias. Entre os dias 17 e 29 de novembro de 2018 será realizada no Egito a 14ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). Diante disso, a BPBES fez o lançamento do “Sumário para Tomadores de Decisão” do “Primeiro Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos” marca um momento tão crítico quanto oportuno para a agenda do desenvolvimento sustentável nas conjunturas internacional e nacional. No âmbito global, os olhares sempre se voltam para o Brasil que, por ser o detentor da maior biodiversidade do planeta, exerce um papel central nas discussões-macro e cujo declínio da riqueza biológica gera impactos para além de suas fronteiras. O cenário político do país, com a alternância de mandatos que irá ocorrer nos poderes executivo e legislativo, também sinaliza para um leque de possibilidades e rumos, a depender das deliberações dos novos planos de governo e das propostas a serem pautadas e aprovadas no Congresso Nacional. Continue lendo.

50 Days FREE Access to Legal Institutions and Ecological Economics

50 dias de acesso gratuito a Instituições. Economia Ecológica: sua Contribuição Comum para o Desenvolvimento Sustentável (Volker Mauerhofer) já está disponível on-line, contendo todos os detalhes bibliográficos. Para acessar, clique neste link antes de 9 de dezembro de 2018, você acessará a versão final do artigo no ScienceDirect. Você está convidado a ler ou baixar. Não é preciso fazer a inscrição, registro ou mesmo há cobranças de taxas.

2018 UN Climate Negotiations COP-24

ISEE Call for Participation at the 2018 UN Climate Negotiations, COP-24

A ISEE antecipa com o Status de observador nas negociações climáticas anuais da UNFCCC, COP-24, em Katowice, Polônia entre 05 e 16 de dezembro de 2018, permitindo-nos credenciar membros para participar da COP. Isso é consistente com a intenção do nosso presidente Clóvis Cavalcanti de que a ISEE se envolva mais em influenciar mudanças de alto nível na direção da sociedade. Continue a leitura. http://cop24.gov.pl/

Lançamento do livro, Comércio Ecologicamente Desigual no Século XXI, Beatriz Saes

A Beatriz Saes, pesquisadora do GEMAECO, analisa neste livro as especificidades do comércio ecologicamente desigual no século XXI a partir da observação do metabolismo social do minério de ferro e da inserção brasileira neste mercado. A autora procura compreender a dinâmica do mercado de minério de ferro no âmbito global e de que modo a assimetria internacional nos fluxos físicos pode ser explicitada pelo comércio ecologicamente desigual ainda que em um contexto de grande fragmentação da produção, de transnacionalização do espaço asiático e da crescente importância das economias emergentes nas relações internacionais. O estudo também analisa de que modo a própria economia brasileira respondeu a esses determinantes, tanto por meio do Estado como pela iniciativa do próprio setor minerário. Comércio Ecologicamente Desigual no Século XXI Páginas: 220 Preço Sugerido: R$ 55,00 Para aquisição clique aqui.

Economia do Meio Ambiente, lançamento da 3ª edição, 2018

O livro “Economia do Meio Ambiente”, de Peter May, é um suporte para compreensão da economia em um contexto ecológico. A Economia Ecológica se define como um campo de conhecimento transdisciplinar (ou seja, que transcende as fronteiras disciplinares), desenvolvido a partir do reconhecimento de que, de um lado, o sistema socioeconômico baseia-se e depende dos sistemas naturais, e, de outro, interfere e transforma o funcionamento destes últimos. Em vez de colocar o bem-estar do homem no centro das preocupações, a Economia Ecológica preocupa-se igualmente com o fundamento ético das sociedades humanas que menosprezam (em vez de venerarem) os direitos das demais espécies de continuar existindo, tendo promovido ações que levam à extinção acelerada. O lançamento da 3ª edição de Economia do Meio Ambiente é organizado de Peter May, Doutor em Economia dos Recursos Naturais pela Universidade de Cornell (Reino Unido) e professor do Departamento de Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (DDAS/UFRJ). Neste livro, foi reunida uma ampla gama de autores brasileiros, que apresentaram a ótica das diversas escolas representadas no país, para mostrar a necessária integração entre a ecologia e a economia nos dias de hoje, e a sua superação numa visão transdisciplinar – o cerne da Economia Ecológica. “É um dos poucos se não o único livro focado nas condições do Brasil para disciplinas de graduação e pós-graduação em economia do meio ambiente, representando diferentes correntes de pensamento” conta Peter May. Essa nova edição, consideravelmente ampliada e totalmente atualizada, representa uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (ECOECO), que busca o desenvolvimento e a disseminação da Economia Ecológica no Brasil. O livro inclui uma abordagem do tópico central da Economia Ecológica, qual seja a dimensão entrópica do processo econômico, em capítulo esclarecedor escrito por Andrei Cechin. A obra procura desvendar assuntos que dizem respeito à aplicação de metodologias da ciência econômica tradicional a temas que trazem a realidade das imposições, restrições e exigências da dimensão da natureza em tudo o que os seres humanos, e sua atividade econômica, fazem. “A obra introduz o leitor aos principais temas que servem de foco de pesquisa e assessoria sobre políticas públicas do desenvolvimento sustentável do país, desde a ótica da economia do meio ambiente, incluindo gestão de recursos hídricos, biodiversidade, uso do solo e energia, entre outros” ressalta o economista ecológico. Preço Sugerido: R$ 138,90 Para aquisição clique aqui.

Llamado a resúmenes para el II Congreso de la Sociedad Andina de Economía Ecológica – SAEE

El tema del II Congreso de la Sociedad Andina de Economía Ecológica 2019 es “Justicia Ambiental y Alternativas al Desarrollo: aportes de la Economía Ecológica y la Ecología Política. El congreso será realizado en la Pontificia Universidad Católica del Perú (PUCP), entre los días 9 y 11 de abril de 2019, en Lima, Perú. Ya fue publicado el primer llamado para presentación de resumen extendido. Líneas temáticas
  1. Justicia ambiental, conflictos y extractivismo
  2. Alternativas al Desarrollo
  3. Macro-economía Ecológica, Comercio Internacional y Deuda Ecológica
  4. Valoración plural, inclusiva e integral de la naturaleza y sus servicios ecosistémicos
  5. Metodologías e Indicadores de Evaluación Biofísicos
  6. Gobernanza Ambiental
  7. Sistemas Rurales Sustentables
  8. Sustentabilidad Urbana
  9. Investigación y enseñanza de la Economía Ecológica y la Ecología Política en la región andina
  10. Género y Ambiente
Más información sobre el envío de resumen, clic aquí.

15th Congress of the International Society for Ecological Economics

Ecological Economics and Socio-ecological Movements: Science, policy, and challenges to global processes in a troubled world 10-12 September 2018 A bi-lingual conference Puebla, Mexico For more information, visit http://15th-isee2018.uam.mx/index.html.

XII ENCONTRO DA ECOECO

O XII Encontro Nacional da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica contou com apresentações em diversas áreas temáticas, que foram divididas em dez sessões, além de uma sessão especial tratando do tema Governança e Instituições Ambientais – as múltiplas institucionalidades dos processos, estruturas e funções ecossistêmicas.

Confira os trabalhos apresentados no evento.

Edição Especial do Boletim da ECOECO, nº 39

Agroecologia

Esta edição especial é dedicada à agroecologia, a qual apresenta 11 artigos que buscam aproximar a sociedade dos problemas temas, conceitos e ações afins à sustentabilidade, justiça social e ambiental.

Confira aqui os artigos publicados neste boletim.