O Prêmio Nobel de Economia de 2018

Clóvis Cavalcanti

Presidente da ISEE

O Prêmio Nobel de Economia foi criado em 1969 e concedido este ano pela 50ª vez. Seus ganhadores de agora são o professor da Universidade de Yale (onde estudei) William Nordhaus e o professor Paul Romer, da New York University, até recentemente economista-chefe do Banco Mundial.

O que esses dois premiados têm em comum é que suas pesquisas examinam efeitos colaterais não intencionais da atividade econômica e como eles afetam o crescimento no longo prazo. Nordhaus considera que as repercussões como consequências negativas das mudanças climáticas, mudanças essas realçadas há pouco, uma vez mais, pelos cientistas no novo relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudança Climática (IPCC). Nordhaus é um economista ambiental ligado à economia do clima. Ele já esteve em reuniões da ISEE, mas não faz parte da Sociedade.  Ele desenvolveu um modelo integrado para analisar a atividade econômica e suas conseqüências ambientais e para avaliar as respostas a elas, como impostos sobre o carbono. Antes dele, Partha Dasgupta e Geoffrey Heal elaboraram um modelo que permitiu a Nordhaus chegar ao seu. Talvez os dois devessem ter sido contemplados também com o Nobel.

Paul Romer, por sua vez, se concentra nos efeitos colaterais positivos da mudança tecnológica. Seu argumento é de que os inovadores muitas vezes não obtêm todos os benefícios do que fazem, de modo que as economias de mercado deixadas à própria sorte tendem a não gerar novas idéias suficientemente. Abordar esse déficit, sugere ele, requer uma ação governamental bem planejada para estimular mais inovação, como subsídios para pesquisa e desenvolvimento.

Comentando sobre o prêmio diante de jornalistas, Romer confessou: “Eu acho que muitas pessoas pensam que proteger o meio ambiente seja tão caro e tão difícil que preferem ignorar isso.” No entanto, “podemos absolutamente fazer progressos substanciais para proteger o meio ambiente e fazê-lo sem abrir mão da chance de sustentar o crescimento”. Na verdade, para a Economia Ecológica, crescimento da economia perene é algo insustentável. O que se pode sustentar, sim, é desenvolvimento. Na natureza, todo crescimento contínuo termina em desastre: este é o princípio da célula  cancerosa.

Dominado por americanos, o Nobel de Economia foi concedido a quase 80 laureados, dos quais uma única mulher, Elinor Ostrom (1933-2012), em 2009. Mulher que escreveu sobre a gestão dos bens comuns, os chamados “commons”. Ostrom estava na primeira conferência bienal da ISEE em Washington, em 1990. Do mesmo modo que o ecólogo Garrett Hardin (1915-2003), que pensava o oposto dela e que é o pai da conhecida tese da “tragédia dos comuns”.

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